Melhores pais, melhores mestres, melhores alunos – educar pelo exemplo

 

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A formação do caráter de um ser é um dos trabalhos mais importantes que alguém pode empreender. É um grande exercício de capacitação docente. Deve significar alegria pela possibilidade de coparticipação na realidade alheia. A educação tem que ser a grabde festa, repleta de tons, sons, aromas, texturas, mas a percepção da cor do mundo e sua comemoração estão dentro de cada um de nós. Aquele que somente percebe o preto e o branco só tem essas perspectivas em seus olhos e carece de colorido. Um educador de verdade segue os passos de Sócrates, acredita nas possibilidades e, por isso, parteja almas: cria condições para que cada semente de homem dê luz e colorido, manifestando o melhor que tem.

Todo dia pode ser comum, mas também pode ser de festa. Os dias podem ser de festa se há a aesperança do desenvolvimento colorindo o processo. Um educador de verdade ensina com as cores e a festa que tem por dentro. Se carece de alegria, de vontade, de certezas, de entusiasmo, de verdades, precisa começar a criá-las para poder ensinar. Necessita construir um conceito claro a respeito do seu papel social, político, pedagógico, moral, ético e cidadão para conduzir com firmeza seu labor. Quando isso não ocorre, costuma “pegar emprestadas” algumas ideiais, apropriando-se de algo que não foi nascido do próprio ventre e, portanto, sem colorido.

Uma professora confidenciou em uma reunião pedagógica, que todos os dias assistia ao programa Malhação, porque queria aprender a forma correta de orientar seus filhos e alunos em relação aos dilemas e conflitos próprios da faixa etária. Nesse caso, ficam evidenciados a ausência de conceitos próprios e o “empréstimo” realizado como única saída para poder atuar em seu micromundo. Os conceitos regem a conduta. Se não os tenho, o que/quem regerá minha vida? A teoria é a teia para o equilibrista, já ensinava Alicia Fernández. Viver com conceitos “emprestados” faz com que não haja sustentação daquilo que se sabe, que se fala e que se faz. A natureza também é ensinamento e festa, primeira mestra do ser humano. A observação atenta de seus processos orienta o homem a conduzir-se na vida. Observação, exercício da reflexão enquanto o entendimento tenta apalpar o que vê.

A aranha tece sua teia nos fios produzidos pelo própriocorpo; cada fio é fundamental para gerar a unidade que sustenta, protege e dá estabilidade. Um educador de verdade é aquele vai fiando sua teia, produzindo-a fio por fio, com os elementos que recolhe daquilo que lê, ouve, pensa, criando juízos, formando traçados de estabilidade e construindo a sua praxis pedagógica.

Sou otimista quanto à educação, em relação à adolescência. nessa fase, o jovem está em pleno apogeu de sua capacidade de raciocínio dedutivo. É portador de um alto nível de pensamento abstrato, mobilidade e interaçãosocial, o que o leva a desenvolver diferentes interesses e habilidades, em ciências e humanidades. Só precisa ser reconhecido, estimulado; só precisa ter modelos para seguir, exemplos para admirar.

Para chegar a ter um mundo de paz, é preciso começar a mudar a cultura, deixar de destacar o erro, de provocar diferenças, de viver olhando para o outro e gerar violência. Provocar o bom que cada um pode realizar, valorizar os feitos, por pequenos que sejam, estimular os bons hábitos, dedicar atenção ao que é certo e conveniente, ao que tem valor, e destacar as ações generosas, compartilhadas.

Pais e professores amam seus filhos/alunos e têm os melhores anelos de ajudar e favorecer seu processo de crescimento, mas esses dois fatores são suficientes para educar? É preciso educar pelo exemplo. Quando o professor ou pai fala algo e age diferentemente do que disse, o que está comunicando? Que, apesar de as palavras pronunciadas serem muito bonitas, elas são irrealizáveis ou não têm valor. Afinal, se o “próprio professor não consegue ou não faz, eu também não conseguirei”. Mas quando as palavras são da mesma natureza que as ações, surge a possibilidade de realização, porque elas servem de estímulo positivo e de colorido ensinamento.

Educação pelo exemplo é aquela em que o par educativo que se forma, convidando a uma construção parceira, sugere a mudança de um antigo hábito da nossa cultura, de achar que são os demais que têm que mudar o seu modo de ser. O educador observa as caacterísticas, debilidades, necessidades de correção e encaminhamento do discente e, ao mesmo tempo, reflete sobre suas condições docentes, traça um plano paralelo para sua capacitação. Queremos filhos melhores, alunos melhores, mas o que temos feito para melhorar os pais, os professores que somos?

Cristina Coronha