Promovendo a modificabilidade cognitiva

congnitivo-classe

A cognição é função essencial para a aprendizagem, desenvolvimento e autonomia. Quando pensamos, temos atenção, usamos a memória, a imaginação, o pensamento, quando aprendemos, vemos a cognição se manifestando. Existe hoje no mundo uma grande incidência de pessoas com disfunções cognitivas, que necessitam de um programa de intervenção para minimar seus déficits.

Diante disso nos perguntamos: É possível alterar a inteligência e a forma como uma pessoa prende? Existe alguma possibilidade de modificar essa cognição? O que torna um ser humano modificável?

Reuven Feuerstein, psicólogo romeno, pesquisador do desenvolvimento humano, ensinou que a modificabilidade é uma possibilidade no ser humano, principalmente quando existe uma mediação e instrumentos/ferramentas para auxiliá-lo. Essa mediação começa desde o nascimento, instintivamente, pelo contato mãe-bebê, podendo ser chamada de mediação informal. Na escola, quando o professor abre para o aluno um mundo de possibilidades novas e desconhecidas, tem o papel de mediador formal na questão pedagógica, devido a sua formação, mas podemos dizer que é um mediador informal na questão cognitiva, pois não é preparado academicamente para orientar e intervir nas dificuldades provenientes das questões relacionadas ao déficit de atenção, percepção e assimilação, controle dos impulsos, dificuldade de análise/síntese, interação social, entre outros. O que ocorre é que muitas vezes essas mediações informais não contêm a qualidade de mediação necessária, que inclui a reciprocidade, a intencionalidade, a transcendência e a mediação do significado, o que torna importante a intervenção de um mediador habilidoso e treinado para auxiliar no processo de modificabilidade cognitiva.

A mediaçao capacita o sujeito a atuar e agir em vários canais de aprendizagem, ou seja, se existirem barreiras impedindo o desenvolvimento de um deses canais, podemos criar outras alternativas e outros métodos. É uma interação intencional com quem aprende, com a função de aumentar o entendimento e a ação do sujeito.

Um suspeito portador do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), por exemplo, apresenta alterações nas funções cognitivas como a percepção nebulosa e confusa, um comportamento impulsivo/não planejado, uma orientação temporal deficiente. Assim, é possível corrigir e tratar essas funções deficientes, usando os instrumentos elaborados que trabalham o elemento correspondente que falta: percepção clara e precisa, comportameto exploratório sistemático, e orientação temporal, respectivamente. Algumas crianças com necessidades especiais podem apresentar problemas em identificar emoções, o que impede a tomada de ação apropriada para cada vivência – e dificuldade de resolver um conflito, quando este se manifesta, o que torna a vida em sociedade mais complicada. Nesse caso, faz-se necessária uma intervenção para trabalhar essa dimensão social/emocional, a fim de que essas crianças possam se adaptar melhor, produzir mais em sociedade e ser mais felizes.

Diante da grande incidência de alunos apresentando, cada vez mais cedo, problemas relacionados á aprendizagem e ao comportamento, por que não oferecer a eles uma nova possibilidade, uma nova visão? Se sabemos que tudo que realizamos durante nossa vida, desde o nascimento, representa o tipo de sujeito que seremos no futuro, e se temos a certeza de que tudo é modificável, por que não começar agora a traçar um novo rumo que possibilite desenvolver o máximo potencial das futuras gerações? A hora é agora.

Ana Carolina Coronha